Emílio Moura

Contista, romancista e poeta do Modernismo

Retrato de Emílio Moura

Emílio Guimarães Moura foi poeta, jornalista, professor e funcionário público, sendo certamente um dos nomes mais relevantes do Modernismo Mineiro. Nascido em Dores do Indaiá (MG), em 14 de agosto de 1902, realizou o ensino primário em diferentes cidades, como Bom Despacho e Carmo da Mata. O ensino secundário foi feito no Instituto Guimarães, em sua cidade natal, e no Ginásio Mineiro, em Belo Horizonte.

Aos 15 anos, iniciou seu contato com a poesia ao descobrir a obra de autores como Cesário Verde, Antônio Nobre e Alphonsus de Guimaraens. Na capital mineira, conviveu com vários outros jovens intelectuais e, em 1925, ao lado de Carlos Drummond de Andrade, Martins de Almeida e Francisco de Assis Barbosa (Gregoriano Canedo), fundou o periódico A Revista, considerado até hoje o primeiro e mais importante órgão do modernismo em Minas Gerais. Pouco após concluir o curso de Direito pela UFMG, foi nomeado professor de História da Escola Normal Oficial de Dores do Indaiá, onde residiu até meados de 1931, ano em que se casou com Guanayara Portugal Moura. Retornou a Belo Horizonte pouco tempo depois, estabelecendo-se definitivamente na capital até o seu falecimento, em 28 de setembro de 1971, sendo um dos poucos modernistas mineiros que não migraram para o eixo Rio-São Paulo.

Durante sua trajetória na capital, Moura dedicou-se aos mais diversos ofícios, transitando entre o jornalismo, a poesia e a carreira pública. Dentre os cargos que ocupou, destacam-se: redator do Diário Oficial de Minas Gerais, secretário do Tribunal de Contas e do Departamento Administrativo de Minas Gerais, diretor da Imprensa Oficial do Estado e superintendente da Secretaria de Educação. Foi também professor de Literatura Brasileira e de História nas faculdades de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, além de membro da Academia Mineira de Letras.

Apesar de sua forte ligação com a estética modernista, alguns críticos ainda atribuem traços simbolistas à sua obra. Sua primeira publicação, Ingenuidade, data de 1931. Posteriormente, publicou: Canto da hora amarga (1936); Cancioneiro (1945); O espelho e a musa (1949); Poesia (1953); O instante eterno (1953); 50 poemas escolhidos pelo autor (1961); A casa (1961); e Itinerário poético (1969), obra que recebeu o Prêmio de Poesia do Instituto Nacional do Livro. Esta última foi declarada pelo próprio autor como sua magnum opus, por reunir os poemas de livros anteriores que ele mesmo selecionou.

A complexidade e a profundidade de suas obras vão muito além de um vocabulário elaborado. Um traço típico de Moura reside justamente na simplicidade de suas palavras em contraste com a densidade das questões que propõe ao leitor. Em 2006, foi lançado o romance póstumo Anáguas (Editora Sete Letras), que, a partir das memórias da protagonista, narra as desventuras de uma família em situação de vulnerabilidade econômica que se vê forçada a migrar para a cidade grande.

Em 2002, a Editora da UFMG e a Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG lançaram a segunda edição de Itinerário poético: poemas reunidos, em comemoração ao centenário de Emílio Moura, reafirmando a relevância do autor na história literária brasileira.

Principais Obras

Canto da Hora Amarga

Poesia (1936)

Referências Bibliográficas

WIKIPÉDIA. **Emílio Moura**. Disponível em: . Acesso em: 20 mai. 2026.

Página pública sobre Emílio Moura

Acessar fonte Último acesso: 20/05/2026

CULTURAL, Editores da Enciclopédia Itaú. **Enciclopédia Itaú Cultural**. Disponível em: . Acesso em: 20 mai. 2026.

Acessar fonte Último acesso: 20/05/2026

DUARTE, Constância Lima. **Dicionário biobibliográfico de escritores mineiros**.

DUARTE, Constância Lima. **Dicionário biobibliográfico de escritores mineiros**.